Na hora do almoço, reunida com meus colegas de trabalho eu menti. Antes, confessei que tinha acordado chorando e logo depois disse não saber ao certo o porque, mas na verdade eu sei. Eu acordei realmente chorando, como outras vezes sentia uma mistura de sentimentos que me confundiam e me abalavam conforme eu pensava nos motivos que me faziam sentir. Eu sei o que me consome dia após dia, e que me faz pensar de vez em quando que de alguma forma aquilo iria me destruir. Eu penso, me despedaço, me destruo pensando no futuro.Aquele espeaço em branco entre o que sou e o que desejo ser, que será preenchido por minhas atitudes capazes de transformar o que eu pretendo ser em alguém diferente...
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VAZIO
Quando acordei no dia 13 de junho, pensava em como as coisas seriam se eu tivesse coragem de enfrentar algumas pessoas e dizer exatamente tudo o que eu queria. Eu pensei em como me sentiria bem se isso fosse possível, é claro, expressando claramente a minha revolta sem derramar lágrimas que seriam um sinal de fraqueza ou insegurança. Imaginei a cara dela de surpresa, e como ela imediatamente mudaria, ficando séria se defendendo de todas as minhas acusações. Me explicando o porque as coisas eram daquele jeito, tentando me persuadir a acreditar que eu não era inferior e que tinha sim algum potêncial, e que futuramente eu ia notar isso. Eu não prestaria atenção a nenhuma de suas palavras porque ainda estaria com raiva, me sentindo uma ignorante que só sabe fazer uma coisa, e que tornou-se útil nessa única coisa, e que portanto não precisava fazer nada mais a não ser aquilo! E se por algum motivo precisarem de alguém para exercer alguma função diferente, alguém mais 'experiente' assumiria a tarefa, porque eu não poderia perder meu tempo, eu era importante demais fazendo somente aquilo!
Quando entrei naquele emprego eu sonhava porque me incentivaram a sonhar. Sonhava que seriam inúmeras as coisas que aprenderia ali, que jamais me entediaria porque eram tantas coisas diferentes para se fazer... tantas coisas, que o tempo passaria rápido demais! Conforme o tempo passou, eu pedi e insisti para aprender algo novo, mas tudo o que eu recebi foram promessas de que um dia eu aprenderia. Uma coisa boa ou ruim em mim, é que eu não perco tempo insistindo demais, mas eu não esqueço, eu espero. Mas se o tempo passa demais, e eu vejo que não levará a lugar algum as promessas que ficaram, eu espero mais um pouco para desapontá-los da mesma maneira.
Naquela manhã do dia 13, eu acordei chorando...
Era a raiva de ter guardado todas aquelas mentiras, a raiva de ter perdido tempo demais...
eu me senti fraca, inútil e acima de tudo vazia, só queria voltar a dormir e parar com aquele aperto na garganta e aquela vontade de gritar, mas eu não podia... tinha que levantar e ir trabalhar!

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